RETORNAR ÀS NOTÍCIAS - Fotos do casal Zelenskyy na Vogue causam indignação (e podem ser “ponto de viragem” na guerra)


01-08-2022 17:18h Vários

 

A sessão fotográfica é assinada pela conceituada Anne Leibovitz e mostra a mulher de Zelenskyy, ao lado do marido, a usar roupas elegantes assinadas por designers ucranianos em hangares militares ou em espaços oficiais da presidência da Ucrânia.

“Um retrato da coragem”, intitula a Vogue que escolheu Olena para figurar na capa da revista do próximo Outubro na sua edição norte-americana.

As imagens estão a gerar surpresa e revolta numa altura em que a Rússia continua a atacar a Ucrânia, com milhares de soldados ucranianos a morrerem no conflito e de cidadãos do país a verem as suas casas, e as suas vidas, destruídas.

Apesar de todo este cenário trágico de uma guerra fratricida, Olena Zelenska surge em toda a sua elegância, embora com um olhar triste, nas escadas do Parlamento ucraniano, no centro de Kiev, rodeada de sacos de areia que servem de trincheiras de guerra, ou ao lado de militares e de um avião destruído pelos russos.

 

O próprio Zelenskyy aparece na sessão fotográfica, ao lado da mulher, numa pose típica de casais de actores ou cantores célebres.

Entre o “bizarro” e o “pornográfico”

Há quem classifique tudo isto como “bizarro” e quem fale de uma “guerra curiosa”, ou ainda quem note que é uma “capa obscena”. “É tudo tão despropositado e de mau gosto que não dá nem para comentar”, desabafa, por seu turno, um utilizador do Twitter.

Por outro lado, também há quem dê os parabéns à Vogue, apreciando o facto de poder “entrar” um pouco na intimidade do casal que tem sido elogiado pela forma como tem liderado a resistência ucraniana aos russos.

 

“Na Vogue, a senhora Zelenskyy está na moda. O cenário é a destruição feita pela guerra. Que se lixem os mortos!“, escreve outro utilizador desta rede social.

Já a produtora de teatro Carmen Granja, militante do PCP e membro do Movimento Democrático de Mulheres, fala de “pornografia” numa publicação no Twitter, realçando que Zelenskyy e a mulher tornam a guerra “num set de moda, ultra romantizado e asqueroso”.

O ex-Embaixador Francisco Seixas da Costa, por seu turno, prefere apreciar apenas “a beleza triste da senhora Zelenskyy”, recusando avaliar o que define como “o exercício fotográfico na lógica sensatez/insensatez do gesto”, conforme escreve também no Twitter.

“Ignóbil!”, escreve no Twitter Ossanda Liber, candidata à presidência da Câmara de Lisboa nas autárquicas 2021. “Glamour em tempo de guerra”, acrescenta, reconhecendo que Zelenskyy nunca foi o seu “herói”.

“A espectacularização da guerra”

A sessão fotográfica está a ser criticada em vários países, inclusive nos EUA, onde a política republicana Lauren Boebert, activista pelo uso de armas, recorda que a Ucrânia está a receber “biliões em ajuda” enquanto “Zelenskyy faz sessões fotográficas para a Vogue”. “Estas pessoas pensam que não passamos de um bando de otários“, escreve ainda no Twitter.

No Brasil, o professor Fábio Palácio da Universidade Federal do Maranhão salienta que as poses de Zelenskyy e da mulher na revista servem para nos lembrar que “vivemos o tempo das guerras-espetáculo”.

O historiador brasileiro Rodrigo Ianhez concorda com essa ideia e fala da “espectacularização da guerra elevada a novos patamares”.

“O horror da sociedade do espectáculo subindo mais um patamar, a irresponsabilidade, a falta de empatia e o oportunismo da capitalização extrema da guerra”, escreve, por seu turno, a escritora brasileira Marcela Magalhães, sublinhando que a primeira-dama ucraniana, “vestida com grandes grifes”, posa “ao lado de destroços e soldados”.

Já o professor de Direito Penal e Processo Penal Geovane Moraes, também brasileiro, sublinha que este pode vir a ser “um dos grandes pontos de virada da guerra na Ucrânia“. “Dificilmente um europeu comum, que está pagando muito mais pela energia e comida, em parte por causa da guerra, sentirá que seu esforço vale a pena a partir de agora”, considera numa publicação no Twitter.

Zelenskyy “continua um palhaço”

O caso também tem ecos noutros países, nomeadamente em Espanha, onde se nota que os Zelenskyy “não podem ser mais frívolos”.

E enquanto alguns já se referem a Zelenskyy como a “marioneta dos EUA-NATO”, outros sublinham que “vendem a imagem dele como um grande estadista”, mas que “continua um palhaço” numa referência ao seu passado como actor de comédia.

Entre as críticas, também surgem as sátiras, com imagens que mostram o casal Zelenskyy a afagar um montão de dinheiro.

zap 

28/07/2022