RETORNAR ÀS NOTÍCIAS - Alimentos essenciais podem escassear com a greve dos motoristas


05-08-2019 16:05h Vários

 

Marcada para dia 12 de agosto, a greve dos motoristas pode começar a manifestar as suas consequências logo ao terceiro dia. Em declarações ao Jornal Económico, o diretor-geral da Federação das Indústrias Portuguesas Agro-Alimentares (FIPA), Pedro Queiroz, admitiu haver a necessidade de racionar alimentos ao fim de três dias de greve.

“O risco de racionamento prende-se com os produtos que as pessoas procuram com mais intensidade e poderá esgotar mais rapidamente”, disse o dirigente, dando como exemplos o “pãolácteos, alimentação para bebés, massas, arroz e conservas“.

Assim sendo, Pedro Queiroz aconselhou as pessoas a armazenar alguns destes produtos não perecíveis para o caso de começarem a escassear nos supermercados. Também os supermercados devem estar preparados para um aumento da procura destes alimentos, recorda o diretor-geral da FIPA.

Apesar disso, o principal problema será com alimentos como laticínios, frutas e legumes, que têm prazos de validade curtos e que não poderão ser reabastecidos com facilidade durante a paralisação.

A greve dos motoristas vai afetar a capacidade de abastecimento dos supermercados logo desde o primeiro dia, mas os efeitos começam a sentir-se mais a partir do terceiro. “Não passa pela cabeça de ninguém que a greve demore muito tempo, o que traria ao país uma situação caótica“, reparou Pedro Queiroz.

“Consequências irreparáveis”

O secretário-geral da UGT considera que a greve dos motoristas resultará em “consequências irreparáveis” para o país e apelou ao Governo para intervir com vista a um acordo entre sindicatos e patrões.

“Há uma coisa de que eu tenho a certeza e o país também tem a certeza: desta guerra haverá consequências irreparáveis para a economia portuguesa, mas sobretudo para os portugueses”, disse Carlos Silva aos jornalistas no final de uma audiência na Presidência da República, em Belém, Lisboa.

A greve dos motoristas de matérias perigosas e de mercadorias foi um dos temas abordados no encontro realizado em Belém a pedido da central sindical, com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse Carlos Silva.

Segundo o líder sindical, o Governo deverá intervir no conflito entre os sindicatos dos motoristas e a Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM), tal como já o fez anteriormente, para que as duas partes voltem às negociações e cheguem a um entendimento.

“Apelamos à ANTRAM, aos sindicatos e ao Governo para que tentem uma última via” para um acordo, sublinhou Carlos Silva.”Se é verdade que o senhor ministro [Pedro Nuno Santos] recomendou que os portugueses atestem o depósito antes do dia 12, eu acho que valeria mais a pena investir 48 horas seguidas eventualmente num processo negocial”, reforçou o líder da UGT.

“O prejuízo [da greve] é incalculável para milhões de portugueses que estão no nosso país, sobretudo para a classe emigrante que nos visita na altura do Verão”, defendeu Carlos Silva.

Porém, o secretário-geral da UGT disse estar solidário “com a luta dos trabalhadores”, defendendo que também cabe à ANTRAM e não apenas aos sindicatos travar a greve. “Para dançar o tango são precisos dois“, disse Carlos Silva.

O líder da central sindical considerou ainda “um pouco abusivo o facto de falar-se da lei da greve como uma ameaça aos sindicatos” sempre que há “litigâncias e conflitos” entre estruturas sindicais e patrões. “A lei da greve está consagrada na Constituição e devidamente regulamentada”, defendeu.

Indústria com grandes prejuízos

O presidente da Associação dos Industriais de Tomate garantiu nesta sexta-feira à Lusa que a greve dos motoristas pode provocar ao setor prejuízos diários de quatro milhões de euros e pôr em causa quatro mil postos de trabalho.

“Esta greve vai cair no pico da apanha do tomate. O tomate, em Portugal, é plantado entre abril e maio […] e apanhamos cerca de 25 milhões de quilos por dia que depois são transformados, poucas horas após a apanha. O valor dessa atividade é de cerca de quatro milhões de euros por dia”, estimou, em declarações à Lusa, Martin Stilwell.

Tendo em conta que a apanha do tomate decorre entre agosto e setembro e que este é um fruto de curta duração, os produtores estão “muito alarmados com a situação”, acrescentou o responsável.

Desta forma, apelam a que este setor seja integrado nos serviços mínimos para que seja disponibilizado “gasóleo aos agricultores e aos homens que transportam o tomate”, bem como para que “seja permitido abastecimento de combustível e gás às fábricas” que transformam este fruto.

A Associação dos Industriais de Tomate exprimiu, por escrito, estas preocupações ao executivo, estando já agendada, para a próxima semana, uma reunião com o ministro da Agricultura, Capoulas Santos.

Paralelamente, os produtores estão a tentar precaver-se, abastecendo, antecipadamente, os seus veículos, porém, alertam que, sem energia, as fábricas de transformação não vão conseguir funcionar.

Com esta greve, ficam assim em causa, “quatro mil postos de trabalho de cerca de oito fábricas, essencialmente, na região do Ribatejo”, apontou.

A paralisação dos motoristas “põe em risco o futuro da atividade em Portugal. Estamos em contacto muito próximo com os nossos agricultores que estão, igualmente, alarmados com a situação. Pode, com alguma facilidade, pôr em causa a subsistência desta atividade no país”, defendeu Martin Stilwell.

ZAP // Lusa

02/08/2019